Aforismos do Hemingway.


Como eu acho que a escrita do Hemingway conseguiu ser aquilo mais próximo da fluidez e naturalidade na arte de contar estórias - porquanto ele alcançou a simplicidade e concisão nas suas descrições de cenas -, achei oportuno citar alguns trechos dos seus livros que tive a oportunidade ler, bem como, consequentemente, tirei lições de vida, tal qual um aforismo.



“Aos que trazem coragem a este mundo, o mundo precisa quebrá-los para conseguir eliminá-los, e é o que faz. O mundo os quebra, a todos; no entanto, muitos deles tornam-se mais fortes, justamente no ponto onde foram quebrados. Mas aos que não se deixam quebrar, o mundo os mata. Mata os muito bons, os muito meigos, os muito bravos – indiferentemente. Se vocês não estão em nenhuma dessas categorias, o mundo vai matar vocês, do mesmo modo. Apenas não terá pressa em fazer isso.” Adeus às armas.


“Indo aonde se deve ir, fazendo o que se tem de fazer, observando o que há para observar, qualquer um encontra e identifica material e instrumental para escrever uma história. Quanto a mim, prefiro trabalhá-las e poli-las bastante, prefiro ter de colocá-las, por assim dizer, numa espécie de bigorna, martelá-las até forjá-las a contento, ou mesmo apenas moldá-las numa pedra já formatada, e assim saber que tenho algo sobre o que escrever: prefiro isso a ter aquele material claro e brilhante, já pronto, e não ter nada a dizer, ou então tê-lo limpo e bem lubrificado, guardado no armário, mas fora de uso.
Então faz-se sempre necessário utilizar a bigorna.”


“‘ As aves tem uma vida mais dura do que a nossa, excetuando as aves de rapina e as mais fortes. Por que existiriam aves tão delicadas e tão frágeis, como as andorinhas-do-mar, se o mar pode ser tão violento e cruel? O mar é generoso e belo. Mas pode tornar-se tão cruel e tão rapidamente, que aves assim, que voam, mergulhando no mar e caçando com as suas fracas e tristes vozes, são demasiado frágeis para o mar.’” Santiago, em O Velho e o Mar.






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