Simplicidade e amizade em Tolkien



LIÇÕES SOBRE A SIMPLICIDADE NA OBRA DE TOLKIEN




“ – Muitos são os estranhos acasos do mundo – disse Mithrandir – e, quando os Sábios tropeçam, a ajuda costuma vir das mãos dos mais fracos.” O Silmarillion, Dos anéis de poder e da terceira era.

“A coragem pode ser encontrada em lugares improváveis.” Gildor Inglorion, A Sociedade do anel, Três não é demais.

“– É sempre assim com as coisas que os homens começam; há uma geada na primavera, ou uma praga no verão, e suas promessas fracassam. (Gimli)
– Mas raramente fracassa sua semente – disse Legolas. – Esta fica na poeira e na ruína, para germinar de novo em tempos e lugares inesperados. Os feitos dos homens sobreviverão a nós, Gimli.” O Retorno do Rei, O último debate.



Sabe-se que a amizade na obra de Tolkien é um valor fundamental, haja vista que, a própria Sociedade do Anel, formada por um grupo tão heterogêneo – humanos, hobbits, elfos, anões e magos – em busca de um objetivo comum, isto é, a demanda do Um Anel, por si só, já revela que não se chega tão longe, que não se cumpre uma demanda tão importante, sem que o fardo seja dividido com os amigos – aqui basta lembrar a ajuda decisiva do Sam, quando carregou Frodo nas costas até as Montanhas da Perdição para que o Um Anel fosse destruído.
Demais disso, outro valor que deve ser melhor observado em Tolkien, é o papel fundamental que ele deu aos “menores”, aos mais simples, para que estes cumprissem um papel de suma importância para o bem de toda uma coletividade.
Melhor dizendo, quando o sábio Gandalf, à época, Gandalf, o Cinzento, deu o Um Anel ao Frodo para que este destruísse a joia, Tolkien quis passar a lição, assim acredito, de que não são os grandes heróis que constroem uma história de vitória, mas ao contrário do que se espera, são os mais simples que conseguem ser decisivos, como foi o caso do hobbit  Frodo, Bolseiro.
Em determinados momentos da trilogia – A sociedade do Anel, As duas torres, e o Retorno do Rei –, Tolkien deixou transparecer como os homens, ainda que tenham a capacidade de criar reinos suntuosos – como, p. ex., As Minas Tirith –, ao primeiro sinal de poder, tornam-se frágeis juncos sujeitos a se dobrarem ante o primeiro vento de corrupção.
Daí o autor ter escolhido, dentre as várias raças da Terra-Média, os hobbits como os portadores da missão de destruir o Um Anel. Assim, nota-se como a simplicidade também é fundamental na obra tolkeniana, por assim dizer.
Ao fazer com que seres simplórios e não vocacionados à guerra – como eram os hobbits –, assumissem uma posição de protagonismo, Tolkien subverteu a lógica dos contos fantásticos de que a história é feita de grandes vultos, e torna a simplicidade, junto a amizade, forças motrizes na mudança do mundo.







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